sexta-feira, 14 de março de 2014

MENODORA NA LUTA POR UMA ESCOLA MAIS CIDADÃ


A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação do Brasil (CNTE), aprovou 03 dias de paralisação em todo o País na rede pública de ensino básico (escolas municipais e estaduais), nos dias 17,18 e 19 de Março. Já a Federação dos Trabalhadores em Educação do Estado de Mato Grosso do Sul (FETEMS), depois de avaliar o cenário vivido pela educação em nosso Estado, entendeu que deveríamos paralisar as nossas atividades apenas no dia 19. Por outro lado, o Sindicato Municipal dos Trabalhadores em Educação de Dourados (SIMTED), em assembleia extraordinária  aprovou que em Dourados, as escolas públicas municipal e estadual paralisem suas atividades no dia 19, porém, no dia 18, cada escola deve realizar internamente o Dia da Cidadania.
É sobre este dia da Cidadania nas escolas que eu tecerei neste artigo algumas considerações. Esta ação pela cidadania nas escolas públicas do município, no dia 18, tem como objetivo demonstrar a toda população que não só os educadores, mas a sociedade de maneira geral, precisa ter momentos dedicados a reflexão sobre como exercer a cidadania no Século XXI, o qual, em virtude do advento e a popularização bastante intensa da internet, bem como das redes sociais, precisa desenvolver esforços no sentido de pensar como apropriar-se destas tecnologias, instrumentalizando-as para o aprofundamento da democracia participativa.
A escola, em tese, uma instituição que deve ser vanguarda no processo de apropriação e produção de cidadania, do conhecimento, de cultura e lazer, precisa pois, ter momentos dedicados a pensar sobre a melhor forma de atingir a tão nobres objetivos.
Por outro lado, sabemos que os professores, embora sejam trabalhadores intelectuais, acabam tendo um comportamento, não raro, funcionalista, isto é, estão focados na transmissão dos conteúdos programáticos das disciplinas que lecionam e preocupados tão somente em provar que fazem a escola funcionar, abdicando desta forma da sua condição de trabalhador intelectual, que é de pensar o ainda não pensado, de produzir conhecimento e não somente apropriação de conhecimento já produzido pela humanidade.
Penso que precisamos refletir sobre a natureza do fazer pedagógico realizado pelas escolas. Precisamos nos perguntar a quais objetivos devemos perseguir. A construção de uma sociedade superior, fraterna e mais solidária, logo que precisa ser transformada ou fazê-la funcionar tão somente para integrar o aluno à sociedade? Esta indagação nos remete a uma outra indagação. Uma prática na escola que vise tão somente integrar o aluno à sociedade é o suficiente? Penso que não, afinal de contas a sociedade que temos atualmente é muito injusta nos aspectos sociais, econômicos, políticos, tecnológicos e científicos, logo, é imperioso que o trabalho pedagógico na escola deva ser muito mais ambicioso, qual seja, transformá-la para então preparar o aluno para se integrar a mesma, porém, num estágio superior de desenvolvimento.
Preocupados com estes aspectos relacionados, nós os professores da Escola Estadual Menodora Fialho de Figueiredo, nos reunimos e deliberamos que  no dia 18, faremos uma reflexão sobre:
a)      A História da luta pela cidadania no Brasil, desde 1500 até 2014;
b)    Desafios que estão colocados para a Escola Menodora em nosso município, haja vista, contar com alunos oriundos de vários pontos da Cidade e Distritos de Dourados;
c)     Apresentar um pacote reivindicatório para curto, médio e longo prazos;
d)    Como apropriar-se de mecanismos mais eficazes de comunicação interna junto a sua comunidade escolar (pais, alunos e educadores).

Aliás os preparativos para o Dia da Cidadania, já estamos tentando inovar no último item, haja vista que estamos promovendo teleconferências envolvendo alunos, pais  educadores. Também na terça feira estão convidados todos os membros da comunidade escolar (pais, alunos e educadores).
Criamos um conselho editorial provisório encarregado de receber artigos, charges, vídeos para serem publicados na imprensa local, blog e site da escola, bem como na página do Facebook, sob responsabilidade da Escola. Por outro lado, aplicaremos uma avaliação aos alunos, a qual será constituída por perguntas relacionadas com as ciências sociais e da natureza, exatas e de comunicação.
Esta ação não se encerra no dia 18. Na verdade, esta data será de lançamento solene da mesma. Entendemos que precisamos ter perenidade em nossas ações, já que desta forma não estaremos apenas teorizando e sim na busca por associar teoria e prática. Que o conhecimento apropriado e produzido possa ser instrumento para a comunidade escolar intervir como êxito na sociedade e na própria Escola.

*Enio Ribeiro de Oliveira, professor de geografia da rede estadual, na Escola Menodora Fialho de Figueiredo.


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